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EDITORIAL - Na real
19/10/2017, às 08:33:13

O que mais falta para Araxá consolidar-se como cidade turística é de fato vontade política, porque a partir desta podem ser desencadeadas uma série de ações para impedir de vez que a cidade retroceda nessa atividade que pode ser muito mais significativa para a sua economia do que é hoje. O município precisa despertar e não se acomodar mediante as notícias que projetam Araxá como turística, porque para que essa atividade seja de fato relevante para boa parte da população falta muito mesmo, o que exige não só incentivos, como investimentos público e privado. A realidade do turismo em Araxá ainda está muito aquém da imagem construída lá fora e, mais do que apoiar as iniciativas que surgem na área e os eventos que ainda resistem no calendário local, a prefeitura precisa mesmo ser propulsora dessa alavancada.

Para impulsionar as iniciativas que poderiam projetar a atividade turística transformando-a em prioridade de governo, nada como os últimos dados divulgados pela própria Prefeitura de Araxá. Um deles é a expressiva taxa média de 80% de ocupação hoteleira nos últimos dois meses (agosto/setembro), mesmo sendo considerados de baixa temporada. Outro é o levantamento realizado pela consultoria Urban Systems para a Revista Exame que identificou as cidades de mais de 100 mil habitantes com melhores condições para os negócios e que coloca Araxá entre as quatro primeiras em Minas Gerais e a 71ª no país. E também a cidade constar na cartilha da Secretaria de Estado de Turismo que detalha pontos para eventos e hospedagens com destaque para o potencial turístico mineiro. Mas apesar de tudo, é difícil alguém inclusive no trade turístico reconhecer esse destino como adequado para receber o turista. É bem mais fácil ouvir reclamações de pessoas que vêm visitar Araxá e se deparam com importantes pontos turísticos e comércio fechados, com a falta de informações, de roteiros praticáveis e inclusive guias, do básico mesmo, fatalmente decepcionando-se mediante a imagem sobre o que iriam encontrar. Nem mesmo a paisagem urbana está tão bem cuidada como antes, com a limpeza e os floridos jardins.

E o complexo do Barreiro continua sem infraestrutura adequada, com as mesmas barracas improvisadas de artesanato, alimentos e bebidas, os animais soltos e inclusive agora com muitos cachorros abandonados a esmo, o prédio do antigo Hotel Colombo deteriorando-se e as suas imediações com ares de abandono, o Parque do Hotel Radium descaracterizado e cercado, o Castelinho fechado, as ossadas pré-históricas da Fonte Andrade Júnior extraviadas, sem a água mineral Araxá, as árvores do parque caindo sem reposição e... a mesma ladainha política. Um jogo de irresponsabilidade entre o Estado e o município difícil de ser resolvido, que se contrapõe ao que tem salvado a pátria, a gestão do Grande Hotel do Barreiro pela Rede Tauá. E se os hotéis têm apresentado uma ocupação tão expressiva deve-se mesmo aos eventos que ainda vêm para Araxá apesar de deixar a desejar até quanto ao apoio do município que continua mais pegando carona do que efetivamente contribuindo para que cresçam e se consolidem na cidade.

Outro antigo problema é a falta de espaço adequado para grandes eventos, mesmo um grande show ou congresso, ou uma partida de competições esportivas nacionais. Na cartilha, consta que Araxá oferece suporte para eventos com 11 pontos e capacidade total para mais de 7,5 mil participantes. Porém, o maior ponto dessa lista é o Grande Hotel citado com a questionável capacidade para 2 mil participantes, porque o seu principal salão não comporta mais do que 500 pessoas juntas. E em termos de hóspedes, a lotação do GH não chega a mil. É certo que nem deve comportar todo mundo, pois o ideal é um evento capaz de movimentar toda a rede hoteleira da cidade, pois bem, contando os 17 hotéis listados para hospedagens no município é provável que somem uns 3 mil leitos. E não é fácil obter uma taxa de ocupação como a divulgada para agosto e setembro. Inclusive porque há um retrocesso quanto ao acesso aéreo ao município, a adequação do terminal rodoviário, articulação do trade, a oferta de atrativos, dentre outras condições que já foram melhores no passado.   

Lógico que existem mais fatores positivos do que negativos em prol do turismo araxaense, porém pouco explorados.  A começar pela diversificada cultura que deveria andar junto com o turismo. É importante reconhecer a intenção da gestão municipal de avançar nessa área, com ações como a reforma do Parque do Cristo, a restauração do Museu Dona Beja e a criação do roteiro turístico rural. No entanto, incipientes e ainda desarticuladas do grande contexto. O turismo para acontecer em Araxá da forma como vislumbrado precisa ser priorizado, como a saúde, a educação, a segurança. Se for considerada a sua abrangência, a atividade turística pode impactar positivamente cerca de 50 diferentes segmentos do município, inclusive esses vitais. Muitas iniciativas teriam mais suporte para continuar e crescer, revertendo essa tendência de menosprezo ao que é tão valioso.   


Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia