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Araxá / MG -
Clarim

04/10/2017, às 09:08:31

Voluntariado como projeto de vida

 

A araxaense Roberta Costa Carneiro Abdanur, de 24 anos, formada em Relações Internacionais e Comunicação, fez do voluntariado um projeto de vida. Ela saiu de Araxá aos 16 anos para estudar na França, onde começou a se interessar em viagens para outros lugares e manteve os primeiros contatos com refugiados, principalmente os que atravessam o mediterrâneo.

Após oito anos residindo na Europa, Roberta está terminando a sua tese em Comunicação sobre refugiados, em Milão (Itália). Por enquanto, ela ainda trabalha apenas como voluntária. “Estou participando de um treinamento da ONU (Organização das Nações Unidas) que mais para frente será um trabalho remunerado. Agora criaram a agenda 2030 e os objetivos do desenvolvimento sustentável, então, a gente estava discutindo tudo isso com todos os líderes mundiais para compreender melhor a situação do mundo. Ajudar, saber que você pode fazer algo, contribuir de certa forma, é bem gratificante”, afirma.  

Recentemente, ela esteve em Araxá e recebeu uma Moção de Congratulação e Reconhecimento conferida pela Câmara Municipal, por indicação do vereador Raphael Rios, por seu envolvimento em ações humanitárias no Nepal, Tibet e na Índia, durante a reunião ordinária de 1º de agosto passado. Roberta lembra que quando chegou na Europa ainda era menor de idade. “Então, era um pouco difícil concretizar algumas coisas, mas eu consegui fazer alguns programas de voluntários, na África e Nepal. A faculdade foi me levando a isso, eu pude ter mais informações e conhecer outros países, ver onde mais precisavam de voluntários e entrar para as ONGs. Hoje, eu sou voluntária da Nations Help que trabalha na Índia, no Tibet e  Nepal e da African Impact em alguns países do Leste africano, como Tanzânia e Kênia”, informa.  

“Eu vi que pequenas ações que a gente faz, se doar àquilo, para eles significam muito. E através disso, eu comecei a ver porque a minha vida fazia sentido, o propósito de estar aqui. Então, os estudos, as línguas, sempre foram baseados nisso”, diz. Como exemplo, Roberta conta que estava na África e, algumas tribos de lugares afastados não conheciam inglês, então teve que falar a língua local para se comunicar inclusive com as crianças. “São línguas totalmente diferentes e com o tempo eu fui aprendendo, com a experiência também. E é muito gratificante trabalhar para ajudar, seja de qual forma, ajudar alguém começa por cada um de nós, por qualquer ação que a gente faz e espero continuar agora com o projeto na ONU”, afirma. De acordo com Roberta, falar inglês é fundamental nesse trabalho e, também o francês que é uma das línguas oficiais da ONU, principalmente se for em vários países da África. “Claro que se for para algumas comunidades locais, principalmente no Oriente Médio, também o Árabe é fundamental. No Nepal, eu consigo me comunicar com algumas pessoas em nepalês que é a língua local, apesar de muitos falarem inglês. E na África, o “sua rile”, uma língua bastante falada no leste africano”, explica.

Demandas dos refugiados - Segundo ela, acabou de voltar de um treinamento da ONU, na Unite States Relations, em Nova Iorque. “Eu pude participar de muitos fóruns e conferências e entender melhor as relações do mundo e espero que continue a fazer isso para sempre”, diz com convicção.  De acordo com Roberta, existem muitas frentes de trabalho voluntário em vários países do mundo. “Em primeiro lugar, temos agora a questão da emergência na crise de refugiados, tem muita guerra civil acontecendo agora, tanto na África quanto no Oriente Médio, com muitas pessoas desesperadas tendo que deixar o próprio país, correndo para a fronteira em busca de ajuda e asilo. E também não só a guerra, como a fome em muitos outros lugares, a questão econômica de vários países é muito crítica, então, complica bastante. A questão da violência contra as mulheres, no Nepal eu trabalho com algumas refugiadas que fugiram justamente, não por guerras, mas da violência que sofria no seu país. E a questão da criança, da educação, muitas não conseguem ir à escola, não têm o direito de estudar. E a educação faz parte do direito humano, está na carta das Nações Unidas, toda criança tem o direito de ser livre e estudar”, destaca.

Ela diz que está há oito anos na Europa, desde quando começou a guerra na Síria, mas de 2015 para cá a situação é mais crítica porque a Turquia fez um acordo com a Grécia e vários imigrantes que vão para lá têm complicações nos campos de refugiados para serem acolhidos. “Então, mudaram algumas rotas e, atualmente, estão morrendo mais pessoas do mediterrâneo. E às vezes, as pessoas pensam que de um dia para o outro um refugiado pega um barco e vai para tentar passar a fronteira e, não é assim, às vezes, leva-se anos passando de um país para outro, principalmente se estiver ali no meio da África subsaariana (parte do continente africano situada ao sul do Deserto do Saara), e sofre muita humilhação e violência, muitas são mortas antes mesmo de pegarem o barco na Líbia, por exemplo. Eu acho que nenhum pai colocaria um filho dentro de um barco se a água não fosse mais segura que o país onde estão”, explica.

Araxá - Para Roberta, Araxá é muito especial. “Minha cidade, onde aprendi muita coisa. Na verdade, desde pequena quando morava aqui, eu ia em alguns projetos sociais com a minha mãe (Paula). Agora quando venho nas férias, é muito bom ver como a cidade está crescendo também e é sempre bom voltar. Nas férias, nas últimas vezes, eu fiz parte do projeto Abrace, com crianças e mulheres adolescentes, no bairro Pão de Açúcar. Como empoderamento e motivação, é bem interessante esse projeto. É interessante também reencontrar as pessoas e a família”, destaca.

 
 
 
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