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EDITORIAL - Em defesa do ambiente
31/08/2017, às 09:07:20

Não é possível defender o que ignoramos, porém nós conhecemos o ambiente que nos cerca e, mesmo assim, costumamos ser apáticos e omissos em relação a esse meio que é determinante na nossa vida. Da natureza vem tudo que nos provém e, é das nossas origens, que buscamos o essencial para a nossa qualidade de vida também no meio urbano, como a água e o ar que respiramos.

Nesse ambiente estranho que o homem vai construindo para viver, marcado pelo asfalto e o concreto, impermeável, poluente, consumista, é preciso um contrapeso para a sua própria sobrevivência. Essa convivência entre o natural e o urbano tem que ser sustentável, equilibrada, honesta e pelo bem de todos. Mas a falta de consciência sobre a importância dessa relação torna a vida nos centros urbanos geralmente desiquilibrada, hostil, fazendo com que as cidades cresçam desordenadamente, destruindo impiedosamente o que ainda existe de natural sem oferecer nada em troca, sem recompor esse ambiente pelo menos em parte para que não nos falte água de beber e nem nos adoeçamos com o ar que respiramos.  

É tanta preocupação com as facilidades e o modismo que levam ao crescente descarte de todos os tipos de lixo que, muitas vezes, nem nos tocamos que a natureza tem cobrado a conta, cada dia mais cara. E tem sido assim, com o sofrimento mediante tantas tragédias naturais advindas das mudanças climáticas que prenunciam desastres e da infinidade de doenças próprias desta vida pós-moderna, que o homem começa a despertar-se para a necessidade de reverter o contexto do seu meio ambiente, mundialmente. Sem ser preciso ir longe, pelo contrário, temos que transformar primeiro o meio ambiente no qual estamos inseridos, no caso, Araxá. Uma cidade ainda agradável e saudável, mas que se distancia da qualidade de vida que já ofereceu a sua população na medida em que cresce com perdas ambientais que não são evitadas e nem mesmo mitigadas.

Em 2000, quando da elaboração do atual Plano Diretor Estratégico (PDE) de Araxá, havia no perímetro urbano 17 áreas verdes com nascentes, a maioria já despareceu com a expansão urbana em menos de 20 anos. Na época, foi feita uma opção que valorizou o crescimento horizontal da cidade, ou seja, sem a aglomeração indiscriminada de grandes edifícios. No entanto, não veio acompanhada da devida fiscalização, como em relação à implantação de loteamentos sem a infraestrutura básica, com a ocupação ilegal de áreas verdes que acabaram ficando apenas nos projetos, sem a construção de equipamentos públicos como escolas, unidades de saúde, áreas de lazer.

Esse plano que deveria ter sido detalhado junto a novas leis complementares, acabou desassociado delas, algumas elaboradas anos à frente, com alterações que visavam prioritariamente os empreendedores. Quantas áreas ainda estão desocupadas, por conta da especulação imobiliária? Um dos sérios problemas ambientais de Araxá é o exacerbado número de lotes vagos, em boa parte descuidados. E as alterações que foram feitas no PDE para atender interesses específicos que contrariavam o que foi inicialmente orientado? E quantas áreas não foram invadidas de lá para cá?

Instrumentos como os conselhos municipais de Política Urbana (Compur) e de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (Codema) tiveram ao longo desses anos atuações pontuais, para não dizer às vezes pífias, inclusive nas duas revisões do PDE previstas em lei, com alterações definidas de cima para baixo e a partir da realização de audiências públicas com pequenas participações da população em si, mais proformas e sem consequentes debates. Por exemplo, que não impediram as indecentes ocupações de áreas de risco à beira dos córregos que acontecem até hoje provocando a degradação ambiental, a descaracterização da paisagem urbana e o desmonte de patrimônios históricos, e outros impactos negativos. Assim como não preservaram e promoveram as matinhas, e ainda prevalece praticamente o mesmo índice de m² de área verde por habitante, aquém do preconizado pela Organização Mundial de Saúde.

A expectativa é a de que a aprovação do projeto de lei do Poder Executivo que reestrutura o Codema pela Câmara Municipal, antecedida de discussão sobre a sua competência e composição, tenha chamado a atenção para a necessidade de Araxá defender de verdade o seu meio ambiente. A nova legislação estadual amplia a força e o poder de deliberação dos conselhos municipais de meio ambiente, portanto, que o de Araxá seja mais eficaz no cumprimento do seu papel, inclusive extrapolando o debate dos bastidores para a prática, de forma a conquistar o respaldo da população em suas decisões. E que o Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (IPDSA), como órgão executor do Plano Diretor Estratégico e, consequentemente, das decisões do Codema, passe realmente a justificar a sua criação.

Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia