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Araxá / MG -
Clarim

29/06/2017, às 07:58:18

EDITORIAL - Cuidados urbanos

 

Araxá pode estar melhor em termos de cuidados urbanos, com um conjunto de ações necessárias não só à imagem como também à qualidade de vida dos moradores. É preciso agir em relação às principais demandas, para depois estabelecer uma rotina adequada de manutenção da paisagem urbana que se estenda por toda parte da cidade. A sensação é a de que em termos de serviços urbanos a administração municipal esteja sempre correndo atrás, sem iniciativas inovadoras capazes de reverter esse jogo.

A base desse trabalho deve ser o conjunto de leis complementares ao Plano Diretor Estratégico (PDE) que estabelecem as regras específicas, como os códigos de Posturas, Uso e Ocupação do Solo, Ambiental e Tributário. As leis precisam estar condizentes com a realidade proposta para serem cumpridas por toda a população, mediante constante fiscalização. Se não estiverem de acordo, essas leis devem ser revisadas a fim de serem plenamente aplicadas, proporcionando a esperada resolutividade cobrada do poder público. Leis no papel, não adiantam nada, nem aquelas que são cumpridas por uns e não por outros e, muito menos, as desobedecidas pelo próprio poder público que, imprescindivelmente, tem que dar o exemplo e fazer a sua parte se quiser contar com a cooperação da população.

Um desses cuidados fundamentais é com o gerenciamento dos resíduos sólidos, ou seja, de todo o lixo que é produzido pela população, seja o residencial, comercial, de construção civil, hospitalar, eletrônico. O que não se resume na coleta desse lixo, embora seja uma importante etapa de um processo que se inicia com a existência do aterro sanitário e a sua apropriada operação. Então, o problema do lixo a ser resolvido pelo município começa lá no aterro que, atualmente, não está operando a contento como apontou recentemente o vereador José Valdez (Ceará). Além da falta de maquinário suficiente para a deposição do lixo, de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os funcionários, a coleta seletiva capaz de diminuir o volume do lixo depositado no aterro continua a ser ínfima na cidade. Embora se fosse eficiente, aumentaria a vida útil do aterro, cuja perspectiva tem sido reduzida. Até mesmo a separação do lixo orgânico do reciclável pela população que começou a ser praticada como hábito não resistiu à inconstância desse trabalho.

A manutenção das vias limpas e, quiçá verdes e floridas, tem sido outra grande dificuldade do poder público. A falta de arborização em boa parte da cidade é lamentável, assim como o estado da maioria das calçadas existentes, onde ao invés de árvores adequadas, o mato cresce dando um trabalho muito maior para a limpeza pública. Se as leis atuais não estão contemplando essa questão, que sejam modificadas como propôs o vereador Robson Magela, em projeto de lei aprovado pelo plenário, porém vetado pelo Executivo por não se tratar de matéria da competência do Legislativo. Então, que o poder competente resolva esse problema histórico, não só das calçadas, da falta de arborização, das áreas verdes e nascentes praticamente abandonadas, como também dos lotes sujos e sem as devidas benfeitorias, como cerca e calçada. E para cobrar da população, a prefeitura precisa utilizar ou pelo menos bem manter as áreas que lhe pertence, pois não pode contribuir para os vazios urbanos e que exigem uma nova política de desenvolvimento  para a cidade.

A prefeitura tem feito o recapeamento das vias, mas a cada ano o problema se repete e, em muitos locais, este serviço paliativo não resolve mais, evidenciando um gasto que deveria ser maior em curto prazo para refazer o asfalto, mas muito menor no decorrer do tempo. As principais avenidas da cidade também merecem um cuidado diferenciado, tinham que estar sempre muito bem mantidas, seja no Centro ou nos bairros. A av. João Paulo II é um exemplo das que deveriam estar bonitas, arborizadas, enfim, bem cuidadas. Obras futuras não devem servir para postergar providências óbvias e urgentes, porque esses locais não podem ficar indefinidamente aguardando melhorias que representam maiores investimentos.

Outro fato é a necessidade de solução dos pontos críticos já postos, antes de se pensar em qualquer expansão urbana, desde a interligação de vias que vão melhorar o sistema viário até mesmo a implantação dos equipamentos públicos que faltam, como escolas, unidades de saúde e praças. E prioritariamente, o tratamento de regiões sem infraestrutura básica, inadmissíveis para uma cidade com o IDH de Araxá. Os grandes desafios como a canalização dos córregos da Galinha e Grande têm sido postergados sob a justificativa da falta de recursos ao invés de começarem a ser atacados por parte, como ocorreu com o início da implantação da av. Rosalvo Santos que está paralisada no primeiro trecho há mais de dez anos.

Outra questão é cuidar de dar destinação ao que literalmente representa o desperdício do dinheiro público, independentemente de quem seja a culpa. Não é porque algo começou ou está errado que assim deve ser indefinidamente. A exemplo da avenida sem solução que corta a encosta do Parque do Cristo ou o antigo Hotel Colombo e a área de 10 mil m² do seu entorno pertencentes ao município, inclusive o Buracanã. 

 
 
 
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