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Araxá / MG -
Clarim

18/04/2017, às 08:30:13

EDITORIAL - Fazer mais

O movimento neste fim de semana prolongado também conta com a realização de dois grandes eventos, a Exposição Agropecuária e a Páscoa Iluminada, que nos remetem às duas primeiras vocações econômicas de Araxá, a pecuária e o turismo. É fato que atualmente outra vocação é a que mais pesa no PIB municipal, a mineração, embora tenha sido a última a ser explorada. Nada impede de equilibrar esse diversificado potencial econômico, até para o município não continuar dependendo tanto da atividade mineradora que um dia se esgota independentemente da força do trabalho. Sem falar que a pecuária e o turismo agregam outras fortes atividades no município, o comércio e a prestação de serviços.

A freguesia de São Domingos do Araxá surgiu depois da descoberta das águas salobras do Barreiro que engordavam o gado e que fez da localidade ponto de parada obrigatória dos bandeirantes e tropeiros que seguiam para Goiás (GO), a partir da segunda metade do século XIX. A atividade pecuária evoluiu e surgiu por aqui a raça Girolando, com os cruzamentos do gado Gir com o Holandês, da qual a exposição de Araxá tornou-se a segunda maior do país. No entanto, as condições do Parque de Exposições Agenor Lemos há anos se tornaram aquém dessa capacidade, sem que a diretoria da Associação dos Ruralistas do Alto Paranaíba (Arap) tome a iniciativa e convença os seus associados de que o tempo é desfavorável quando não é acompanhado. Assim, a qualidade do gado exposto e a festa que cresce a cada ano esbarram-se cada vez mais na falta de condições apropriadas a essa evolução. Sem falar das sentidas perdas comuns, em meio a tantas possibilidades de avanço, como a da tradicional Cooperativa Agropecuária de Araxá (Capal).     

A princípio, a atividade agropecuária esbarrou no repasse de grande parte do território de Araxá para o governo do Estado, em contrapartida pelo estabelecimento da Estância Hidromineral do Barreiro. No entanto, a partir dessa dificuldade houve a necessidade do aprimoramento do gado, do aumento das técnicas de produção e o rápido crescimento do comércio com a maior evasão do homem do campo, além do surgimento do turismo em função das propriedades das águas minerais do Barreiro que são benéficas à saúde. Novamente, em outro espaço histórico, as indicações do tempo são para a criação de um novo momento pela classe rural. Exige-se coragem para reinventar o seu trabalho, como investir mais no aprimoramento genético, no agronegócio com a valorização dos produtos da terra como queijos, doces, artesanatos, fitoterápicos e na própria cultura rural que ainda é forte na sociedade araxaense.

Por que não vendem a área nobre que ocupam no Centro da cidades e que já pequena para eles, onde as atividades no parque também incomodam a vizinhança? Com o recurso, teriam condições de criar a infraestrutura necessária para inúmeros projetos, inclusive um espaço adequado para a realização dos apreciados shows e muitos outros eventos que podem movimentar o novo parque o ano todo, porque é uma grande carência de Araxá. E mesmo um mercado para comercialização desses produtos da terra e, quem sabe, um centro de pesquisas agropecuárias? A chamada economia criativa chega devido ao avanço tecnológico que, se por um lado desemprega, por outro possibilita inúmeras novas atividades e oportunidades de trabalho. É inexorável a necessidade de evoluir do homem que precisa vencer o medo do desconhecido para enfrentar o futuro, dar o primeiro passo, explorar novas perspectivas.     

A descoberta dos benefícios das águas mineral radioativa e sulfurosa para a saúde de quem fazia uso delas numa época em que os remédios eram praticamente naturais também atraiu muita gente para o município. Atualmente, assim como a atividade rural, a turística precisa ser oxigenada em Araxá. Quem sabe andarem ainda mais juntas a caminho dessas soluções através das parcerias? O poder público municipal que acaba sendo beneficiado com todas as iniciativas de aquecimento da economia local tem por obrigação ser propulsor desse movimento, dar a injeção de ânimo nessas atividades. Sabe-se que o que não falta é espaço ocioso no patrimônio municipal para tal parceria, como a grande área adquirida da Cemig na gestão passada que é a sequência de outra que pertence à Codemig, onde está o Expominas Araxá, cogitava-se então a implantação do campus da UFTM e, depois, do projeto Cidade Gastronômica. Outro espaço que pertence ao município adquirido também na gestão passada é composto não só pelo prédio histórico do Hotel Colombo que está deteriorando-se rapidamente pelo desuso, como também por 10 mil m² de área existente no seu entorno.

É urgente a necessidade de fazer pela economia local incentivando vocações econômicas naturais como o agronegócio e o turismo. No país inteiro existem exemplos de como municípios sem as potencialidades de Araxá fazem mais com muito menos.

 
 
 
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