Radix Comunicação e Tecnologia

Araxá / MG -
Clarim

30/03/2017, às 07:50:59

EDITORIAL - Reciclar ações

De acordo com o “Dicionário Aurélio”, o significado de reciclar é “formação complementar dada aos quadros, aos técnicos, para lhes permitir adaptarem-se melhor ao progresso industrial e científico”. Assim, é preciso reciclar a coleta seletiva no município, reintroduzi-la como uma ação fundamental não só no tratamento do nosso meio ambiente natural, como também social. A mudança de hábito em decorrência da coleta seletiva influencia significativamente no comportamento da população, não só em relação ao lixo que produz como também na interação com o meio onde vive de forma a valorizá-lo e preservá-lo enquanto essencial para a coletividade.

Há dez anos, quando passou à condição de 19º município de Minas Gerais a ter um aterro sanitário ao invés do lixão a céu aberto, Araxá foi escolhida para receber um projeto piloto do governo do Estado de gerenciamento dos seus resíduos sólidos - que não se resumem ao lixo orgânico e reciclável, incluindo o hospitalar, o eletrônico e o entulho. O objetivo era fazer do município um exemplo para os demais de Minas Gerais no que concerne ao conceito de sustentabilidade, de qualidade de vida, o que passa por 100% de tratamento do esgoto e do lixo. Quanto ao esgoto, hoje é tratado 100% apenas do que é coletado, porém ainda existem muitos locais sem a devida coleta, a exemplo daqueles que não possuem ligação com a rede coletora e das áreas invadidas às margens dos córregos sem saneamento que cortam a cidade, o Grande e o da Galinha. Quanto ao lixo, houve um lamentável retrocesso.

Naquela época, com a implantação do projeto piloto, os catadores foram retirados do lixão e passaram a ser responsáveis pela coleta seletiva do lixo, com o apoio do município e do Estado. O que era arrecadado se revertia em renda, melhorando as condições de vida daquele pessoal que foi agrupado em cooperativas, desde a pioneira Cooperare criada em 2003 e, posteriormente, a Foco Ambiental e a Reciclara. Como se trata de uma questão cultural, o trabalho foi crescendo gradativamente, vencendo várias dificuldades, especialmente a conscientização da população em separar o lixo orgânico do reciclável. Com o trabalho de formiguinha, a coleta seletiva na cidade chegou ao índice de 4,1%, enquanto a média nacional era de 2%. Para incrementar a coleta seletiva, com melhores condições de trabalho para os catadores que já tinham deixado para trás as condições indignas de vida do lixão, o município construiu e destinou um galpão para cada uma das três cooperativas.

Porém, de uns cinco anos atrás até os dias atuais, todo esse trabalho começou a descender ao ponto dos catadores hoje morarem em condições precárias em um desses galpões instalados no Distrito Industrial (DI), onde antes obtinham o próprio sustento. As 22 pessoas, sendo 8 crianças, que moram no galpão agora estão sendo amparadas pelo poder público municipal, conforme debatido no Fórum Comunitário sobre a coleta seletiva de lixo proposto pelo vereador Raphael Rios e realizado nesta segunda-feira, 20. Além desse lado social, a inoperância leva a reduzir ainda mais a vida útil do aterro sanitário. A população que antes começou a separar o lixo reciclável do orgânico retrocedeu na atitude porque não são mais coletados como antes, ambos voltaram a seguir juntos dentro do saco de lixo no caminhão da coleta normal.

Que esse retrocesso evidenciado no Fórum Comunitário seja revertido como disseram e que desde já estejam cientes de que não vai ser nada fácil começar praticamente tudo de novo. O que envolve logística, mão de obra disponível, transporte, maquinário, comercialização e, o que é mais difícil, o envolvimento de cada um a partir da sua casa ou empresa com o simples ato de separar o lixo molhado do seco.

 
 
 
Belvedere
ACIA
John Romualdo
Salão Grill
Centro de Treinamento Cognitivo
Nutri Spa
 
Clarim