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EDITORIAL - Retrocesso turístico
09/03/2017, às 07:41:16



Paradoxalmente, no decorrer dos oito anos em que o Grande Hotel esteve fechado, de 1994 a 2001, houve uma importante evolução na atividade turística de Araxá, porém se esvaeceu alguns anos depois. Ao sentir drasticamente a falta de atividades no complexo do Barreiro e, depois mediante a expectativa de que a cidade deveria estar preparada para a sua reabertura após a reforma e restauração, houve uma forte reação da população como um todo no sentido de valorizar o turismo. Na época, o decréscimo imediato de 70% na atividade turística fez muitos verem como é importante para a economia da cidade - inclusive está relacionada a sua origem.

Enquanto se desenrolava o penoso processo envolvendo as obras e depois o arrendamento das Termas e do Grande Hotel, Araxá começou a se ver turisticamente sem esta âncora. Os doceiros, artesãos, hoteleiros e outros segmentos passaram a se organizar, com o importante apoio do Sebrae através de várias iniciativas como o projeto Turismo Competente. Então, foram constituídos o Conselho Municipal de Cultura e Turismo (Comtur), o Circuito Turístico da Canastra, o Araxá Convention & Visitors Bureau. E nas administrações municipais desse período, o turismo tinha status de secretaria, sendo considerado o mais importante eixo do crescimento econômico sustentável planejado para Araxá.

Os eventos se sucediam com o envolvimento do público local, vários da própria cidade como o Carnaval de Rua e Temporão, a Páscoa Solidária, a Festa da Fantasia, o Arraial de São Domingos, a Exposição Agropecuária, as feiras de produtos locais certificados com selo de origem Araxá, as competições esportivas. Independentemente do fechamento do complexo, vários eventos foram realizados e captados, uns poucos acontecem até hoje como o de mountain bike que se transformou numa etapa da copa internacional. Também houve o incremento dos atrativos turísticos alternativos ao complexo do Barreiro, como a implantação da Rampa do Horizonte Perdido, a reforma e reabertura do Parque do Cristo, a criação do Roteiro 100 visando a integração com a Serra da Canastra, a implantação de novos museus e a valorização dos tradicionais que foram renovados, inclusive com funcionamento aos domingos e feriados.

O comércio reagiu com treinamentos e capacitação de pessoal e alguns estabelecimentos passaram a abrir inclusive aos domingos e novos empreendimentos surgiram como hotéis. A cultura em suas diversas manifestações, como a música, dança e gastronomia, passou a ser vista como economia criativa já naquele tempo, o que hoje está em voga. Esse boom permaneceu algum tempo depois da reabertura das Termas em 1998 e do Grande Hotel em 2001. Em 2005, Araxá chegou a contar com voos diários para Belo Horizonte e Rio de Janeiro com conexão para São Paulo. Aliás, a reforma do aeroporto e a sua autorização para operação noturna foi uma das tantas conquistas apesar do difícil começo.

Assim, com investimento e grande incentivo do poder público municipal, o turismo araxaense não acabou por causa desse longo hiato, pelo contrário, ressurgiu com a impressão de que seria consolidado. Porém, é difícil apontar porque e quando começou a desmobilização de todo esse esforço. Gradativamente, chegou-se ao ponto da cidade ter um feriado de Carnaval como o atual, com o Grande Hotel e o Nacional Plaza Inn lotados, mas os hóspedes tiveram que ficar restritos às atividades internas. No entorno do Barreiro, não existe nada a não ser a possibilidade de fazer uma caminhada pelo Lago Norte (onde uma margem estava limpa e a outra não), além de usufruir dos serviços mal estruturados de alimentos e bebidas e de alugueis de cavalo e bicicleta. O hóspede que se arriscava a ir até a cidade deparava-se com um clima de total paradeiro, especialmente na terça-feira quando nem mesmo os supermercados abriram. Os museus já estão fechados há algum tempo, não só agora no Carnaval.    

Dos considerados principais eixos econômicos do município, o do turismo poderia ser o mais promissor. No entanto, o poder público, comércio e serviços locais demonstram não ter essa visão. Não há vontade política nesse sentido e menos ainda esforço da sociedade, onde prevalecem o comodismo ou o conformismo. Mas, a lotação dos hotéis do Barreiro também neste próximo fim de semana com a realização da Copa Internacional de Mountain Bike que inclusive movimenta a cidade como um todo deveria ser um incentivo para que todos voltassem a apostar no turismo local.


Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia