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Mariana Candini Bastos
Mariana Candini Bastos
14/02/2018, às 12:17:33
Seja a mudança

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”, uma frase clássica de Gandhi que reflete o mais genuíno propósito idealista, porém, convenhamos, soa um tanto quanto utópico. Nem devemos ser céticos em relação à mudança, nos quedando inertes ou apáticos esperando que ela aconteça por geração espontânea; como também não podemos ser ingênuos de acreditar que apenas uma pessoa possa transformar sozinha a realidade de um país.

Sempre gostei dessa frase e, em tempos difíceis como os que o Brasil enfrenta, um verdadeiro desafio é instrumentalizar essa mudança política que tanto desejamos.

Este ano, dedicaremos uma parte maior do nosso espaço na tentativa de formar eleitores mais conscientes, abordando questões da política brasileira de forma crítica, aproximando a linguagem jurídico-política do seu verdadeiro interlocutor: o cidadão.

Mas para além de tentarmos elevar o nível dos debates nacionais, sempre de forma inclusiva, a verdade é que também precisamos que os nossos candidatos passem por algum filtro, sejam mais bem qualificados. O requisito de ser alfabetizado é muito pouco se observarmos que, na prática, a maior parte das câmaras de vereadores do país é formada por pessoas sem curso superior. Precisamos de um poder legislativo mais preparado.

Foi pensando nisso que alguns movimentos da sociedade civil surgiram para promover a formação de pessoas vocacionadas e que queiram se dedicar à atividade política. São eles o RenovaBR, Agora e o Raps, que podemos resumi-los como “empreendedores cívicos”. Todos esses movimentos têm em comum o fato de serem apartidários e funcionarem, para usar uma palavra da moda, como uma start up de pessoas que tenham perfil para ingressarem na política e se tornarem representantes de uma camada social específica.

Aliás, a pouca diversidade do nosso Congresso Nacional já é um fator de exclusão: nosso congresso é formado, majoritariamente, por homens brancos, na faixa dos seus 50 anos e com patrimônio declarado acima de 1 milhão de reais, conforme o site www.congresso emfoco.uol.com.br. Pessoas com esse perfil tendem a ser resistentes a votar questões relativas aos direitos das minorias, direitos ambientais, desenvolvimento sustentável e questões agrárias, distribuição de renda, matérias trabalhistas e previdenciárias, temas não raro entram em pauta apenas quando esbarram em questões orçamentárias.

O RenovaBR, por exemplo, tem um sistema seletivo robusto para encontrar as pessoas com perfis e causas diversas. Os selecionados viram bolsistas para estudar com professores altamente qualificados conteúdos como orçamento público, economia, administração pública, ciência política, governança, ética, liderança, marketing, dentre outras. O objetivo declarado do RenovaBR é formar lideranças políticas, visando o desenvolvimento, foco e preparação de potenciais candidatos ao cargo de Deputado Federal. Para tanto, são fornecidos formação e conteúdo de inteligência política, bolsas de estudo e mentoria. A contrapartida exigida é simples: compromisso com a transparência e uma motivação inesgotável para transformar o Brasil num país melhor para se viver. O lema deles é “O Brasil pode sair do buraco em que está metido. É hora de darmos as mãos e trabalharmos para a construção do futuro que queremos.” Vemos, portanto, que é uma releitura menos poética e muito mais prática da famosa frase do Gandhi que eu sempre gostei e que sempre me pareceu uma verdade num horizonte longínquo e inacessível que ainda corre-se o risco de cultivar sentimento de apatia coletiva.

Mas o que é mais legal nisso tudo, além do fato desses projetos serem fruto da sociedade organizada e irresignada com atual realidade, é que além deles buscarem promover mudanças estruturais no sistema representativo, através da diversidade de candidatos e da qualificação fornecida é que os próprios partidos políticos têm percebido e valorizado esse tipo de iniciativa.

Recentemente, a Rede Sustentabilidade, o Podemos e o Partido Novo enviaram alguns de seus candidatos para estudarem com a metodologia dessas organizações. Significa dizer, portanto, que a primeira mudança já foi alcançada. Alguns partidos políticos já se sensibilizaram com esses anseios e perceberam a necessidade de se integrarem com seus eleitores, enquanto se qualificam previamente para o cargo que pretendem ocupar. Como eleitores, devemos incentivar e valorizar aqueles candidatos que se preocupam em se preparar melhor.

Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia