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Araxá / MG -
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Mariana Candini Bastos

15/05/2017, às 13:19:29

Propaganda

Caros leitores,
Não é com prazer que escrevo sobre política; o faço para que todos nós possamos começar a pensar melhor sobre os fatos que nos circundam. A minha pauta esta semana seria sobre a concessão do habeas corpus ao José Dirceu. No entanto, um outro episódio fez com que eu mudasse o rumo da conversa.

Não é de hoje que me chama a atenção o fato de alguns membros do Legislativo de Araxá usarem anúncios patrocinados no Facebook para divulgarem atividade parlamentar. Não vou entrar no mérito se o dinheiro que paga a publicidade é público ou não. Se for, pior ainda.

Há uma diferença enorme entre publicidade informativa como prestação de contas da atividade parlamentar e propaganda da própria atividade como forma de autopromoção. Vereador que dia sim, dia também publica sobre a sua atividade cotidiana, carece de uma dose de modéstia, mas, em tese, não há nada de errado aí se o conteúdo for meramente informativo.

Pois bem, quinta-feira passada, 04/05, fiz um comentário numa postagem do Vereador Fabiano que, convém lembrar, é o mesmo que pretende instituir um Código de Ética no Legislativo. O anúncio (patrocinado) informava sobre um curso ao qual se submeteram os servidores da Câmara sobre licitação.

Comentei: “Ei, Fabiano, com todo respeito que eu tenho por você e você sabe, mas simplesmente não faz sentido um curso sobre licitação para o legislativo se você e outros vereadores usam publicação patrocinada no Facebook, que é paga, sendo que uma publicação normal atingiria praticamente o mesmo número de pessoas dada a quantidade de ‘seguidores’. A atividade do Legislativo não é comércio que precise de propaganda como alguns vêm fazendo. A eficiência na gestão do dinheiro público é um dos principais pilares de qualquer processo licitatório”.

Até posso ter me precipitado ao concluir que a publicidade foi paga com dinheiro público. Ocorre que o meu comentário foi apagado em menos de 5 minutos, depois de algumas curtidas. Portanto, caros leitores, aquela não era uma propaganda informativa. Tratava-se, isso sim, de autopromoção do Vereador. Houve censura, cerceamento do meu direito de expressão e do meu direito de cobrar explicações do poder público. A assessoria ou o próprio Vereador poderiam ter apontado meu equívoco em relação ao pagamento do anúncio, se fosse o caso. Preferiu-se a censura. Político pode fazer propaganda, mas o administrado só pode falar bem do político, do contrário, o comentário é apagado. Democrático?

Ainda assim tentei dar o benefício da dúvida, acreditava que a responsabilidade poderia ser da assessoria de imprensa e, nesse caso, o Presidente da Câmara deveria se cercar de profissionais menos arbitrários. Entrei em contato com o gabinete do Vereador no mesmo dia e narrei o caso detalhadamente para a secretária, Katiúscia. Cobrei solução, tentei marcar uma reunião. Descobri que para falar com um Vereador é preciso preencher um cadastro: nome completo, endereço, telefone, uma burocracia. Katiúscia prometeu uma resposta ainda naquela quinta e espero até hoje.

Tentei contato outras duas vezes; na sexta pela manhã descobri que a secretária só chegaria depois do meio dia. Às 15h, ninguém atendeu ao meu telefonema.

Pode parecer bobagem, um detalhe, apenas uma postagem na internet. Não é. Não há insignificância quando se tenta transigir com a moralidade administrativa; não há isonomia no sistema eleitoral se aqueles que estão no poder usam a máquina pública em proveito próprio enquanto os demais não têm acesso.

Em tempo: pesquisando a respeito dos gastos com publicidade pela Câmara, deparei-me com o fato de que a aba “despesa em tempo real” do Portal da Transparência foi atualizada pela última vez em 09/01. Fiquemos atentos.

 
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