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Denise M. Osborne

16/11/2016, às 07:55:09

Presidente Trump

Quando acordei no dia 9 de novembro (2016) e vi que Donald Trump tinha ganhado as eleições, tive uma surpresa. Será que ainda estou dormindo? Isso é um sonho? Um pesadelo?

Fui para minha aula de manhã na universidade e meus alunos americanos só falavam sobre o resultado das eleições. “Como é possível que Trump foi eleito? O que acontecerá agora? Será que vamos ter uma terceira guerra mundial?”, especulavam meus alunos.

Exageros à parte, a surpresa foi geral. As pesquisas de opinião apontavam Hillary Clinton como a vencedora. A mídia americana considerava a Hillary Clinton a favorita. Os resultados, no entanto, chocaram o país, mostrando que Trump era mais forte do que se imaginava.

Nos noticiários e jornais, ouviam-se palavras fortes como “choque, terremoto, pesadelo, inacreditável”. Van Jones, um comentarista político da CNN, declarou emocionado “Como vamos explicar isso para nossos filhos?” O jornal Daily News trouxe a seguinte manchete: “Casa dos Horrores”, referindo-se à Casa Branca de Donald Trump. The Washington Post divulgou a manchete “Trump triunfa. O desprezo do eleitor para com status quo impulsionou a reviravolta de Clinton”. E o The Wall Street Journal tinha na sua capa a manchete “Presidente Trump: onda populista dá uma reviravolta nos republicanos”.

Quando Trump começou sua campanha há um ano atrás, todos riram dele. Ninguém levou Trump a sério, nem mesmo os seus companheiros do partido republicano. Mas, ele foi ganhando espaço, e se fortalecendo. Nada parecia derrubar sua companha. Mesmo depois de comentários racistas, xenofóbicos, chauvinistas, sexistas e de 11 mulheres o acusarem de assédio sexual, entre outras ofensas, Trump continuou firme entre seus apoiadores.

Mas por que Trump foi eleito? O público que elegeu Trump para presidente se compõe, em sua maioria, de homens brancos, sem nível superior, de classe trabalhadora baixa. Embora a taxa de desemprego esteja relativamente baixa (atualmente nos E.U.A. é de 4,9% enquanto que no Brasil é de 11,8%), muitos americanos se dizem insatisfeitos. Trump prometeu trazer empregos que foram perdidos com o fechamento de fábricas e indústrias.

No passado, produtos que hoje são trazidos da China, por exemplo, eram produzidos nos Estados Unidos. Os americanos que trabalhavam nas fábricas podiam criar suas famílias, comprar sua casa própria e ter uma aposentadoria tranquila. Hoje, esse modelo não existe mais. Trump se conectou com esses americanos, saudosos de um passado distante, quando se referiu a eles como os “homens e mulheres esquecidos”, coisa que Clinton não soube fazer.

A questão racial parece também ter tido um peso nas eleições. Eleger um homem branco, que recebeu o apoio do Klu Klux Klan, logo após 8 anos de governo de um afro-americano, não parece coincidência. Como declarou o jornal New York Times (9/11/2016), Trump ganhou “graças aos votos dos brancos”.

É importante lembrar que, embora Trump tenha ganhado as eleições em números de votos para o colégio eleitoral, Trump e Clinton ficaram praticamente empatados em termos de votos populares. Em outras palavras, os E.U.A. está literalmente dividido. A vitória de Trump representa a vitória de uma parte do país, não de sua totalidade.

Quais são as expectativas quanto ao seu governo? Será que Trump vai fazer o que prometeu? Por exemplo, construir um muro gigante para bloquear a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos? Acabar com o ObamaCare, o plano de saúde criado por Obama? Existe a possibilidade de que Trump consiga realizar alguns dos seus planos, já que essa eleição colocou os republicanos como maioria, tanto no congresso nacional como no senado.

Por outro lado, mudanças radicais nos Estados Unidos são coisa rara. Nos meus 15 anos morando aqui, vi muito pouca mudança radical acontecendo. Casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, foi debatido por anos. Além disso, o sistema político americano dá poderes para os estados, isto é, cada estado tem mais ou menos a liberdade de criar, aceitar ou rejeitar certas decisões do governo federal.

Mesmo que Trump tenha prometido “fazer a América grande de novo”, ele nunca disse exatamente como iria fazer isso. Por exemplo, como trazer de volta as grandes fábricas do passado? Como deportar milhões de imigrantes sem documentos? Como bloquear a entrada de todos os mulçumanos no país?

O futuro com Donald Trump é agora uma página em aberto. Estamos entrando em uma jornada com um futuro incerto. Espero que as palavras de Obama, proferidas no seu discurso em Washington após a vitória de Trump, não sejam esquecidas: “Estamos todos no mesmo time”.

 
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